Longe do “brisadeiro” improvisado, uma nova classe de chefs de cozinha está elevando a culinária com cannabis a um patamar de alta gastronomia, com direito a certificações, técnicas de dosagem precisas e menus degustação que exploram o sabor e os efeitos terapêuticos da planta.
A palavra “comestível” (ou edible) por muito tempo foi sinônimo de brownies de potência duvidosa. Em 2025, esse conceito foi completamente reinventado. A gastronomia canábica vive sua era de ouro, liderada por chefs que combinam o rigor da culinária clássica com um profundo conhecimento da ciência da cannabis.
Instituições como a “American Culinary Federation” e o “Trichome Institute” nos EUA, e programas mais recentes na Europa, agora oferecem certificações como “Certified Ganjier” ou “Cannabis Cuisine Specialist”. Esses cursos ensinam muito mais do que receitas: eles cobrem a ciência dos terpenos (os compostos aromáticos da planta), técnicas de infusão para preservar o sabor sem degradar os canabinoides e, o mais importante, a arte da microdosagem para criar experiências seguras e consistentes.
Um dos nomes em destaque é a chef Andrea Drummer, de Los Angeles, que com seu restaurante “Elevation” oferece um menu degustação sofisticado, onde cada prato é harmonizado com uma cepa diferente de cannabis, explorando como os terpenos cítricos de uma “Super Lemon Haze” podem realçar um ceviche, por exemplo.
No Brasil, embora o serviço em restaurantes ainda não seja permitido, chefs como Leila D. (nome fictício por segurança jurídica), de São Paulo, atuam em eventos privados e consultorias. “Meu trabalho é desmistificar. Eu não faço comida ‘chapante’, eu crio pratos onde a cannabis é um ingrediente botânico, como o alecrim ou o tomilho, explorando seu sabor e seus benefícios para o bem-estar”, explica.
Esses profissionais não são apenas cozinheiros; são educadores, que ensinam os clientes a apreciar a cannabis de uma forma totalmente nova: com garfo, faca e, acima de tudo, com informação e responsabilidade.