Para milhões de pessoas, principalmente mulheres, que vivem com as dores crônicas e a fadiga da fibromialgia, tratamentos à base de cannabis estão se mostrando uma das alternativas mais eficazes, atuando diretamente no sistema que regula a dor, o sono e o humor.

A fibromialgia é uma das condições mais frustrantes da medicina moderna. Caracterizada por dor musculoesquelética generalizada, fadiga, problemas de sono e de memória, seu diagnóstico é complexo e as opções de tratamento, muitas vezes, são limitadas e com efeitos colaterais significativos. É nesse cenário que a cannabis medicinal surge como um divisor de águas.

Pesquisas recentes, como um estudo de acompanhamento de 2024 conduzido pela Mayo Clinic com mais de 500 pacientes, confirmam o que relatos anedóticos sugerem há anos: o uso de cannabis medicinal está associado a uma melhora significativa na qualidade de vida de pacientes com fibromialgia. A principal hipótese é que a doença envolva uma “deficiência do sistema endocanabinoide”, o sistema do nosso corpo que regula a dor, o apetite e o humor. A introdução de canabinoides da planta (fitocanabinoides) ajudaria a reequilibrar esse sistema.

Os médicos mais experientes na área recomendam abordagens personalizadas. Para a dor durante o dia, formulações ricas em CBD com pequenas quantidades de THC (na proporção de 20:1, por exemplo) têm se mostrado eficazes para reduzir a inflamação e a percepção da dor sem causar psicoatividade significativa. Para os distúrbios de sono, um dos pilares da doença, óleos com maior teor de THC ou com a adição do canabinoide CBN, administrados à noite, têm demonstrado melhorar a qualidade e a duração do sono reparador.

“Pela primeira vez em dez anos, eu tive uma noite de sono sem dor”, relata Ana Costa, de 48 anos, paciente de Niterói-RJ que iniciou o tratamento em 2024. “Não é uma cura mágica, mas me devolveu a capacidade de funcionar, de ter uma vida de novo”. Para ela e milhões de outras pessoas, a cannabis não é uma “alternativa”, mas sim a ferramenta que lhes permitiu retomar o controle de seus corpos.


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