O foco da indústria farmacêutica global está se deslocando do dueto THC/CBD. Agora, compostos antes considerados “menores”, como o Canabigerol (CBG) e o Canabinol (CBN), são os protagonistas de pesquisas bilionárias para tratar desde doenças intestinais até distúrbios de comportamento.

Se a década de 2010 foi marcada pela ascensão do CBD, 2025 consolida-se como o início da era dos “canabinoides de nicho”. Gigantes farmacêuticas estão investindo pesado para isolar e patentear formulações baseadas em compostos como o CBG, CBN e o THCV, vendo neles um potencial terapêutico específico e com menos bagagem regulatória que o THC.

O Canabigerol (CBG), muitas vezes chamado de “célula-tronco dos canabinoides”, é a estrela principal. A empresa israelense “BioCannaTech” está em fase III de testes clínicos com um comprimido de CBG de alta pureza (denominado BX-102) para o tratamento da Doença de Crohn e da retocolite ulcerativa. Os resultados preliminares, publicados no The Lancet Gastroenterology, indicam uma potente ação anti-inflamatória no intestino, com efeitos colaterais mínimos. A expectativa é que o BX-102 seja o primeiro medicamento à base de CBG aprovado pelo FDA e pela EMA (agência europeia) até o final de 2026.

Enquanto isso, o Canabinol (CBN), um subproduto da degradação do THC, ganhou fama por seu potencial sedativo. A empresa americana “NeuraRest” está desenvolvendo um medicamento específico para distúrbios de sono relacionados ao estresse pós-traumático em veteranos de guerra, utilizando uma combinação sinérgica de CBN e CBD.

Essa nova onda demonstra uma sofisticação da indústria. O objetivo não é mais vender “óleo de cannabis”, mas sim medicamentos de alta precisão, com dosagens exatas de canabinoides específicos para alvos terapêuticos claros, aproximando a planta milenar dos rigorosos padrões da farmácia moderna.

Rolar para cima