Enquanto o mundo avança na chamada “Revolução Verde”, o Brasil assiste de camarote. Não estamos falando de ecologia, mas de economia. O mercado global de cannabis, incluindo o cânhamo industrial e a cannabis medicinal, projeta uma movimentação de mais de US$ 100 bilhões até 2026. A pergunta que não quer calar é: quanto desse valor o Brasil está deixando de gerar por conta de uma legislação anacrônica?
Não se engane: a proibição não afeta apenas o acesso a medicamentos ou o uso adulto. Ela impede a criação de uma cadeia produtiva inteira. Imagine agricultores familiares prosperando com o cultivo de cânhamo, uma planta que recupera o solo e exige pouca água. Pense em indústrias nacionais desenvolvendo bioplásticos, tecidos, materiais de construção, biocombustíveis e superalimentos. Isso se traduz em empregos, impostos, inovação e autonomia tecnológica.
Países como Canadá, EUA e até vizinhos como Uruguai e Colômbia já entenderam que regulamentar a cannabis é uma questão de inteligência econômica e estratégica. Eles estão criando empregos, exportando produtos e liderando pesquisas. No Brasil, ficamos presos a um debate moralista que ignora fatos e números. A proibição não custa apenas vidas e liberdade; ela custa PIB, empregos e o futuro. A legalização não é uma “pauta de costumes”, é um projeto de país.