A “Guerra às Drogas” nunca foi sobre drogas. Foi e continua sendo uma ferramenta de controle social e opressão racial. No Brasil, essa política tem cor e endereço: ela encarcera majoritariamente jovens negros e periféricos, destruindo famílias e comunidades sob o pretexto de combater o tráfico.

Agora que a legalização bate à porta, impulsionada por interesses econômicos e medicinais, não podemos cometer o erro de virar a página sem olhar para trás. Um mercado legalizado, dominado pelas mesmas elites econômicas de sempre, enquanto as vítimas da proibição continuam presas ou estigmatizadas, não é justiça. É a perpetuação da desigualdade com uma nova roupagem.

A legalização da cannabis precisa, obrigatoriamente, vir acompanhada de um plano de reparação histórica. Isso significa:

  1. Anistia: Liberdade imediata para todos os presos por crimes relacionados à cannabis que não seriam mais crimes sob a nova lei.
  2. Inclusão Econômica: Criação de fundos e licenças prioritárias para que as comunidades mais afetadas pela guerra às drogas possam empreender no novo mercado legal.
  3. Investimento: Destinar uma parte dos impostos arrecadados com a cannabis para investir em educação, saúde e infraestrutura nas comunidades mais criminalizadas.

Legalizar é o primeiro passo. O verdadeiro teste de nossa evolução como sociedade será garantir que o futuro próspero da cannabis ajude a curar as feridas profundas que a proibição abriu.

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